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Bruno Parodi

Publicado por: Pê Martins em 17/05/2008


Sócio-fundador do portal WeShow, pioneiro da Internet brasileira, Bruno Parodi é um jovem e inquieto empreendedor, e um velho amigo desta humilde casa.

Profissional dos mais requisitados no mercado, Bruno foi o idealizador do portal G1 e responsável pela reestruturação dos portais de jornalismo das organizações Globo. Participou diretamente na criação do portal e o Prêmio iBest. Foi editor-chefe da Internet World. Foi sócio das extintas Tessera Internet (produtora de portais lançada em 2000), do IndiCão (serviço pioneiro de navegação personalizada), e o Botequim.com, maior comunidade brasileira de experts em Internet.

Recebeu em 2005 o Prêmio Gente em Destaque, oferecido pela Brasil Telecom, e foi um dos únicos brasileiros a participar da Web 2.0 Summit 2007, em San Francisco, EUA. Assinou artigos sobre tecnologia e tendências na Playboy, foi editor-chefe da iBest Magazine e teve uma coluna sobre comportamento no NoMínimo. Publica artigos em diversos portais e revistas especializados em tecnologia. Hoje é sócio do ex-chefe, Marcos Wettreich, o criador das bem-sucedidas empresas Mantel, MLabs, Neoris, iBest, Nirvana e da ONG Ajuda Brasil.

Confira o papo que tivemos.

Leia na íntegra
 

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Como foi o primeiro contato com o Marcos Wettreich?

Comecei na Mantel em 95. Depois de uma série de entrevistas e provas, tive a entrevista final com o Marcos para uma vaga de estágio na empresa. Eu tinha 18 anos e nenhuma experiência profissional. O resultado não poderia ter sido outro: uma péssima entrevista.

Mesmo?

Tanto que achei que não tinha conseguido a vaga, mas ele foi muito franco ao final do papo: "você jamais entraria pelo que conversamos, mas suas provas foram muito boas e acho que você pode dar certo".

Pode-se dizer que ele tinha razão.

Aproveitei a chance.

E a partir daí?

Desempenhei uma diversidade tão grande de funções que me permitiram entender como funciona uma empresa inteira, de cabo a rabo. Trabalhei em produtos, tecnologia, marketing, conteúdo e parcerias ao longo de quase 10 anos de Mantel e iBest. Sou grato pela chance que ele me deu, e feliz por ter correspondido.

E encontrou na internet o ambiente ideal para um generalista.

É verdade. A internet é fascinante por essa capacidade de desenvolvimento, de aperfeiçoamento, de continuidade.

Uma boa idéia continua valendo?

Mas idéias são apenas idéias se não forem realizadas. Já tive muitas idéias que até hoje não saíram da cabeça. E de um tempo para cá comecei a ter implicância com essa onda de criar por criar, sem pôr em prática.

È que imaginar uma bela pintura não é o mesmo que pintar uma.

Pois é. Achei durante muito tempo que bom mesmo era o cara das idéias, e que àquele outro cara não tão genial, que usava apenas o braço e trabalhava a fio por horas, não tinha tanto valor e que poderia ser encontrado em qualquer esquina.

Quebrei a cara ao ver que muitos nem tinham grandes invenções, mas persistiam, metiam a cara e acabavam por desenvolver grandes projetos. Há algum tempo divido quase que meio a meio a capacidade de criar com a capacidade de realizar. Uma, dificilmente vive sem a outra.

Continua obcecado por softwares, ou isso passou?

Foi-se a época em que meu micro era abarrotado de programas de todos os gêneros. Durante algum tempo escrevi uma coluna na Internet World que indicava softwares interessantes e isso me fez ter um gosto por descobrir novos programas.

Tenho 3 computadores agora (um desktop no trabalho, outro em casa e um notebook) e isso faz com que não haja um alinhamento do que tenho instalado nos 3.

Algum favorito?

No desktop, atualmente uso mais o Firefox e uma porção de add-ons, OpenOffice para planilhas e edição de textos. Para visualização de imagens, Irfan View e WinRar para compressão de arquivos - ambos desde a época da IW.

Para o Twitter, uso o Twhirl, que vem melhorando ultimamente. Já usei muito Miranda para agregar vários IMs, mas acabei voltando a usar os próprios softwares de cada IM (MSN, Y! Messenger e GTalk) - o ICQ ficou pelo caminho. Winamp também resiste ao tempo, assim como o BattleField 2.

E no celular?

Usava BlackBerry até há pouco. Com ele usava mais os softwares de e-mail (principalmente do Google), além do TwitterBerry e o Mig33 para IM’s. Agora com o iPhone uso bastante o Twinkle para Twitter. Uso 90% do tempo o e-mail dele e o Safari. Tenho ainda uma batelada de outros programas, mas que são usados muito raramente.

E os sites favoritos?

WeShow (esse era previsível).

(Risos)

Mas tem também Globo.com (principalmente G1 e Globoesporte.com), Google (Busca, Reader, Analytics e E-mail, dentre outros ...) e Alexa, para acompanhar o crescimento do WeShow. Em suma, tenho buscado, cada vez mais, agregadores que me permitam poupar tempo e consumir o que quero de modo unificado.

O que há de mais interessante na Internet atual?

Pode parecer que estou vendendo o meu peixe, mas são os agregadores de todos os gêneros. Há um número crescente infindável de fontes de conteúdo e serviços e ter tudo amarradinho é um grande adianto.

E na safra nacional?

No Brasil, também admiro o Cartola FC, fantasy game do Campeonato Brasileiro, além do Camiseteria, projeto de dois grandes amigos e ex-sócios meus (Fabio Seixas e Rodrigo David). Mas passamos por um momento muito feliz e particular na internet mundial, dotado de muita criatividade e inovação. Há muita coisa legal sendo feito e que merece incentivo.

Não poderia deixar de perguntar: Como surgiu a idéia do prêmio iBest?

A idéia apareceu no final de 95 ou 96. Veio do Marcos com o Sérgio Charlab, editor-chefe da revista Internet World na época. Só haviam duas categorias para dividir os sites: pessoais e corporativos.

Qual a sua participação no processo?

Contribuí com os critérios de avaliação dos sites, formas de viralização do serviço (os selos, campanhas dos participantes etc), novas categorias, novas academias e novidades que o mercado exigia.

Enfim, participei muito de perto de tudo e me orgulho muito do resultado que ele teve. Afinal, era apenas um produto de uma revista (originalmente chama-se IWBest - Internet World Best), transformou-se numa unidade de negócio auto-sustentável e acabou por dar origem ao provedor através da Brasil Telecom, alcançando a marca de maior provedor de acesso discado do país à época.

E o “Botequim”?

O Botequim.com surgiu há 10 anos, em 98. Eu tinha muitos contatos no mercado em geral, de designers a executivos, e a idéia foi juntar quem realmente tinha prazer em fazer internet num mesmo lugar para discutir novidades, tendências e afins.

O Rodrigo David tinha uma estrutura pronta de listas de discussão, o que era incomum na época. Ele comprou a idéia e começamos a fazer a gestão da lista, que era fechada ao grande público, só recebendo convidados que tinham indicação de algum membro da lista.

Mas a idéia cresceu.

E muito. Nossa idéia era reunir profissionais pioneiros da internet nacional para trocar experiência e discutir como poderíamos desenvolver o mercado. A lista acabou se tornando referência e tendo muita procura.

Um suspiro e virava manchete.

Era comum notícias surgirem e sairem na imprensa em geral a partir de debates que começamos na lista.

Com o tempo e a explosão da lista, ampliamos o escopo de atuação do Botequim, e, além da lista principal, criamos outras 12 listas, que iam tratam desde negócios à legislação, tudo sempre relacionado ao mundo digital, claro.

Apesar de não parecer, administrá-las dava muito trabalho, e em função de outros projetos nossos acredito que elas ficaram de lado. Esperamos que num futuro breve possamos reativar o Botequim de um movo que possa ser útil aos participantes.

Algo em vista nesta direção?

Eu e o Rodrigo David, novamente meu parceiro na empreitada, temos várias idéias interessantes para o novo Botequim.com. No entanto, não deverá voltar na forma de listas de discussão. E, claro, até como falei mais acima, para ele voltar temos que ter mais idéias e colocá-lo no ar.

E o IndiCão?

O IndiCão acabou sendo mais uma das vítimas da famigerada bolha. Foi criado em 2000, teve boa visibilidade, boa mídia e boa aceitação do público, mas foi acometido pela seca financeira, o que fez com que se se tornasse inviável uma vez que se sustentava vendendo publicidade.

Foi uma pena, pois oferecíamos o maior serviço de navegação personalizada da América Latina, tínhamos um bom projeto nas mãos mas o timing não colaborou.

Há dois anos você foi chamado pela Globo para participar da reestruturação dos portais da empresa. Como aconteceu?

No final de 2005, minha história no iBest, depois de uma década, chegava ao fim. A empresa estava se mudando para São Paulo e eu ainda queria me manter no Rio. Exatamente neste período a Globo.com se estruturava para focar em jornalismo, esportes e entretenimento.

Eles precisavam de alguém que olhasse por todos os produtos de jornalismo. O grande desafio era desenhar um único site que fosse capaz de reunir todo o conteúdo jornalístico das Organizações Globo, do zero - e que atualmente responde pela alcunha de G1.

Além disso, havia todos os demais sites de jornalismo que fazem parte da companhia, de Jornal Nacional a Bom Dia Brasil - acho são mais de 30 no total. O timing foi perfeito e deixei o iBest para cuidar da área na Globo.com.

E como foi reunir um time para a tarefa?

A Globo.com já tinha grandes talentos e pude levar mais alguns nomes da minha confiança para fazermos uma equipe muito unida. Além dos sites de jornalismo da OG, o núcleo também cuidava da primeira página da Globo.com, bem como das emissoras afiliadas da Globo e da produção de conteúdo SMS, dentre outras coisas. Enfim, era um belo time, com pessoas fantásticas.

Como avalia os resultados?

Foram os melhores possíveis. O jornalismo da Globo na internet passou da 4a posição no Ibope para a liderança no período em que passei pela empresa e os produtos da área vêm crescendo e sendo reconhecidos. E, do ponto de vista humano da coisa, também foi ótimo, pois fiz grandes amigos, com os quais me relaciono até hoje com frequência.

E o WeShow?

O Marcos teve a idéia original, quanto ao conceito, e nós começamos a conversar e desenvolvê-la. Foi tudo muito rápido. Trabalhamos muito em cima do conceito de agregação de vídeos, algo que, quando lançamos o site, praticamente não era visto por aí.

O WeShow já está em 8 países. E agora? Qual o próximo passo?

Não temos planos agora para atuar em novos países, e sim focar em oferecer para o usuário as melhores ferramentas, para que ele faça a seleção dele da melhor forma, que é o que atualmente chamamos de My WeShow.

Trata-se de um mercado concorrido, logo, buscamos ter a nossa diferenciação mas, mais importante, com valor para o usuário e para a empresa.

O Marcos (Wettreich) é seu sócio no WeShow. Ser sócio do ex-patrão fecha um ciclo, ou acena a abertura de novos horizontes?

Acho que é um pouco dos dois. É um sinal de que os anos que trabalhamos juntos foram muito positivos e com projetos de repercussão e reconhecimento. A hora é de focar no WeShow e retribuir a confiança.

Como foi alocada a infra-estrutura do portal?

Como o WeShow tem edições em várias línguas e recebe visitas de toda a parte, optamos por montar tudo nos EUA, tendo ainda uma CDN (Content Distribution Network) de alcance mundial para oferecer uma boa experiência de navegação para o usuário, não importante onde ele esteja.

Ter a infra-estrutura no Brasil inviabilizava a idéia?

Jamais nos passou pela cabeça ter nosso pool de máquinas no Brasil, não só pela razão acima, como também por preço, já que lá fora ainda continua mais acessível e com mais qualidade.

E os widgets do portal?

O WeShow se orgulha de ter sido pioneiro em widgets genéricos de vídeo no mundo (Flash e HTML convencionado). É uma forma irreversível de distribuir nosso serviço, e começamos a investir cedo.

Existe a intenção do WeShow associar-se à iniciativa Open Social, liderada pelo Google e MySpace, e oferecer widgets compatíveis com o projeto?

Estamos no meio do desenvolvimento de uma aplicação para esta plataforma. Acredito que em breve estará disponível para os usuários.

Que tipo de formação e atitude você recomendaria àquela pessoa que quer ingressar hoje no mercado de Internet?

Não acredito em formação, mas sim em perfil. A pessoa tem que ser curiosa, dedicada, criativa, dinâmica, atualizada, crítica, dentre outros aspectos.

Em geral, busco pessoal com essas características quando monto uma equipe, agregando o importante fato de que ela deve ser bom caráter, honesta. É claro que existem outras nuances, que variam até de acordo com funções a se desempenhar dentro do mercado, mas a base é essa.

 

Referências na Internet


    WeShow
    Blog
    Mundo Oi

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